Alma Calma




Calma, tão calma, faz a alma reviver.
Alma, ansiosa, faz a calma morrer.
Em mim não há calma, nem alma.
Ao pensar que minha alma está calma,
Percebo que não há calma sem alma.

Como se desvanece a alma sem que,
Num só grito, perca-se a calma?!
Oh lástima! Seria a prévia da morte?
Será que na morte minha alma acalma?

Meus olhos, serenos outrora, gritam.
Castanhos eram, não mais são; descolorem.
Meu olfato perturba minha paz, não há perfume.
O meu tato se foi, como poderei sentir-te?

Ouvi um grito de Socorro e corri assustado
Numa tentativa inútil de ajudar a quem gritava.
Pobre tolo! Não me apercebi: era o meu eco!
E no fundo, eram gritos que ecoavam dentro de mim.

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